O Price / Earnings Ratio (P/E ou PER)

O Price / Earnings Ratio (normalmente designado por P/E ou PER) é um indicador utilizado para analisar o valor de uma acção. Representa a relação entre o seu preço e os lucros da empresa. Quanto mais elevado for o seu valor, mais cara deverá estar a acção (e, como tal, menos atractiva) e vice-versa.
PER = preço da acção / lucros da empresa por acção
Exemplo: se a Empresa X estiver cotada a € 60 por acção e os seus lucros forem de € 3 por acção, o seu PER é de 20 (60 / 3). Isto significa que os investidores estão a pagar € 20 por cada € 1 de lucros da Empresa X. Esta relação é também conhecida por stock multiple, significando que a Empresa X está a negociar num múltiplo de 20 vezes os seus lucros.
Conforme refere Peter Stayner (no seu Guide do Investment Strategy), “a high price/earnings (P/E) ratio indicates that the stockmarket expects the company’s earning to grow fast, and vice versa”.
Este indicador é muito utilizado pelos analistas e um dos mais conhecidos dos investidores. Na verdade, é muito frequente ver na imprensa a referência a uma acção como cara ou barata apenas por referência ao PER. Veja-se a estratégia de investimento boas & baratas divulgada pela Revista Carteira, em que um dos critérios para selecção das acções é um PER inferior a 14, dado que este representa aproximadamente a média a nível mundial.
Porém, a realidade não é assim tão clara e de simples análise. O PER tem limitações e devem ser conhecidas do investidor, de modo a que não se tomem decisões apenas com base nele. São essencialmente três essas limitações:
I - O elemento que serve de base ao denominador deste rácio (os lucros da empresa) é naturalmente susceptível de manipulação. Assim a qualidade do PER está dependente da qualidade dos elementos contabilísticos da empresa. Quanto melhor o investidor conhecer os resultados da empresa em que pretende investir, melhor poderá perceber que elementos podem estar a favorecer ou prejudicar o PER, ajudando à sua correcta interpretação.
II - O PER, por si só, diz muito pouco sobre o valor de uma acção. Ele só ganha relevância quando colocado em comparação com o de outras empresas. Empresas que devem estar no mesmo sector e em condições de mercado semelhantes. De nada serve comparar o PER de uma empresa tecnológica (a ZON, p.ex.) com o de uma empresa na área das utilities (a EDP Renováveis, p.ex.), uma vez que são indústrias com perspectivas e ritmos de crescimento muito diferentes.
III - Normalmente, o PER que surge indicado na imprensa da especialidade corresponde ao chamado trailing PER, em que os lucros da empresa por acção são calculados por referência aos últimos doze meses. O PER assim calculado permite apenas uma visão limitada da empresa, uma vez que não tem em conta as projecções para o futuro, utilizando dados que, para melhor ou para pior, irão sofrer alterações. Daí que deva também ser considerado o chamado forward PER, em que os lucros da empresa por acção são calculados por referência aos lucros previstos ou estimados. É certo que as previsões também falham, mas não é por isso que devem deixar de ser tomadas em consideração (nunca isoladamente, note-se). Esta comparação pode ser suficiente para um bom PER se tornar num mau PER e vice-versa.













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